Entropia é a medida, usada pela Física, para avaliar o grau de desordem de um sistema natural, na troca de energia. Tal grandeza me toma a cabeça sempre, todos os dias quando vejo que o grau de desordem nos processos naturais da vida, nesta “Terra”, é absurdamente apressado pelo homem. A desordem é natural, irreversível e aceitável. O que não é aceitável, ou pelo menos não deveria ser, é a conspiração dos “racionais” pelo crescimento artificial dela. Não pensem que estou falando apenas em aspectos de ambiente, aceleração do aquecimento global, poluição da água e tals. Falo de muitos aspectos comportamentais que também aceleram a desordem e permitem com que a entropia pareça ser “a” ordem divina. Lógico que essa dita aceleração da desordem é fundamentada no bem-estar da espécie humana. Mas trás malefícios não-imediatos, e muito menos mediatos, visto que poucos são aqueles que avaliam as conseqüências de seus atos num primeiro momento. É mais fácil o imediatismo, onde se empurra o “prejuízo” para o futuro. Aliás, empurrar o prejuízo já é prática normal. Amar o próximo como a si mesmo não parece tão lucrável.
Hoje as pessoas empurram seus prejuízos para as outras. Para “ganhar o seu pão”, ou garantir mais dinheiro para “comprar mais pães”, é necessário, tirar o poder de compra do outro. Brasileiro faz isso, carioca mais ainda. Puro conformismo do “jeitinho”, da falsa solidariedade. Você entra num restaurante e pede uma “gelada” e ao perceber que veio quente, não reclama por medo de represália do comerciante ou dos amigos. Afinal, o cara tá num dia ruim, geladeira dando problema, o técnico veio consertar essa semana e já está quebrada de novo, tem dois garçons de férias, um ficou doente, restaurante tá cheio... pô, alivia aí e toma quente mesmo! Essa é a triste história: o técnico “pê” da vida porque a empresa que ele trabalha de forma terceirizada atrasou o pagamento e ainda fez um desconto indevido no “salário”, mas ele não vai reclamar com medo de ser mandado embora. Aí a motivação pra consertar a geladeira do restaurante é baixinha, baixinha! O gerente do estabelecimento fica com o prejuízo de não poder servir cerveja gelada. Somando a falta dos garçons, imprescindíveis para o bom funcionamento do lugar, ele acha que não tem problema passar parte desse “prejú” ao consumidor, que na camaradagem, deve aceitá-lo, afinal estamos no Rio de Janeiro, terra de povo alegre, hospitaleiro, que não esquenta a cabeça com nada! Bom, não sei vocês, mas não sou alemão pra apreciar cerveja quente. Peço uma coca, copo com gelo! Parem para pensar quantas vezes por mês isso acontece na vida de vocês e por quantas vezes você já repassou um prejuízo. É a entropia tomando seu espaço, gradativamente, na nossa essência e tirando nossa vergonha na cara. É o prejuízo público, causado por aquele que escolheram servir ao povo, e por isso, com bom senso democrático, recebem cartões corporativos para usarem na árdua tarefa de servir-nos. É a funcionária do IBAMA (logo do IBAMA, órgão tão bonitinho que só quer proteger nossa fauna e flora) que desviou, como assessora contábil, quase um milhão de reais dos cofres públicos para gastos pessoais, que só foram descobertos depois de três anos do início do uso... ops, abuso! 23 mil reais foram usados (isso consta no balancete) para pagar uma clínica estética. Será que ela pensou que cuidando dela, assim pra ficar bonitona, estava cuidando bem de pelo menos um indivíduo da fauna?!?! É a mentalidade tupiniquim, da transferência de prejuízo, do imediatismo, da não avaliação das conseqüências. O maior exemplo é o representante maior do Estado. Tudo bem, confesso que votei nele na primeira eleição, achando que seus manipuladores fossem menos inconseqüentes e mais estadistas. Mas o lado bom é que eles não são “bons” mal-feitores. Assim vemos todas as semanas a Polícia Federal e felizmente também, a Polícia Civil, trabalhando com inteligência.
É aceitável, e não lamentável que vivemos em um país em desenvolvimento. Fomos mal colonizados no início de nossos tempos e agora somos bem explorados pelos países que nos desenvolvem. Sim, são eles que nos desenvolvem! É fantasia achar que nos desenvolvemos. As privatizações provam isso facilmente. O domínio de bancos estrangeiros também. Não, meu garoto, não merecemos cadeira no Conselho de Segurança da ONU. Muito menos lugar no G-8. Pra quê? Só para chamarmos mais investimentos pro país? Investimentos disfarçados de colonização, não rola! Isso me lembrou uma música dos Titãs: “Quem quer manter a ordem? Quem quer criar desordem?”.
Somos o país de três, quatro talentos reconhecidos em matemática no mundo. Num país de cerca de 182 milhões de pessoas, isso não deveria causar muito orgulho, mas causa. O que deveria causar muita vergonha e não causa é 54ª posição em matemática, de 57 países avaliados em uma prova de conhecimento para alunos de ensino médio, ficando a frente apenas da Tunísia, Catar e Quirguistão. A moda agora no Rio, é o prefeito estimular a aprovação automática, ou seja, o aluno não precisa ser realmente aprovado em provas e testes. Ele passa de ano, basta estar escrito. Na minha época, se zoava dos colégios “pagou-passou”. Com a entropia aumentando, se zoará dos colégios (públicos) “matriculou-passou”. Complicado demais! Outro dia percebi que absurdos culturais acontecem muito. Já é comum encontrar no Orkut, as chamadas pérolas. Muitas vezes nos são enviadas uma porção delas em um só e-mail. Outras vezes as vemos “ao-vivo”, nos perfis de pessoas próximas. Pra citar a que mais me chamou atenção nessa última semana foi um texto, identificado como de Shakespeare, onde ele fala de grandes líderes, incluindo Hitler e Ghandi. Fala de Chaplin também. Shakespeare tinha ares de Nostradamus, além do grande poeta que foi. Falta total de bom senso ou obediência à desordem? Sei lá. Isso que melhoramos nossa nota em leitura naquela prova retrocitada neste parágrafo! Ignorância não é ruindade, nem deve ser tratada como ponto negativo em ninguém. O desafeto deve ser promovido àqueles que desperdiçam oportunidade de adquirir conhecimento. A burrice está em não querer aprender! Pior ainda são os tais diplomados e portadores de certificados de graduação e pós-graduação que nada sabem, apenas portam mais argumentos para empregar-se no mercado de trabalho. Culpa de quem? Dos aceleradores da desordem. Quem são esses? Nós, ora!
Somos os “macaquitos” que falamos espanhol e temos como capital Buenos Aires, além de sermos um povo corrupto e incapaz de tomarmos conta da Amazônia, que deveria ser considerada patrimônio mundial, território não-brasileiro (isso consta em um livro de Geografia usado nos Estados Unidos). E será mesmo que o livro não detém certa razão?
Eles, os gestores do mundo, nos empurram lixo comercial/ industrial, como já dizia Renato Russo na canção “Geração Coca-Cola”. Pena que ainda empurrem com força e nós engolimos, e na maioria das vezes com prazer! Quando é que vai chegar a nossa vez, onde vamos fazer comédia no cinema com as suas leis? Tem gente que acha que ela chegou, pois deu nas telas do Brasil o ganhador de um urso de ouro, filme acusado de fascismo (??) “Tropa de Elite”. Fascismo? Onde? Só porque todo mundo queria ser o capitão Nascimento algum dia? Por isso? Ah, meu irmão, isso é o pingo da ordem que sobra, que a entropia ainda não levou. Se este filme é fascista, Rocky, Rambo, Duro de Matar, Diários de Motocicleta entre outros também são. Até o direito de querermos ser heróis no meio da desordem social querem nos coibir.
Somos o povo do “créu”; da eguinha pocotó; do vou apertar, mas não vou acender agora; do deixa a vida me levar, vida leva eu; das músicas produzidas pelo senhor “Timbaland”. Pelo amor de Johann Sebastian Bach!!! Esse processo musical jovem, digamos assim, me permite contemplar absurdamente o poder da entropia. Graças a tal poder, a música erudita perdeu muita força no último século. Hoje o que vemos são músicas que competem pela riqueza de produzir nos ouvintes, a excitação corporal, não em prol da celebração da vida somente, mas principalmente da excitação de sedução, pré-pegação, pró-coito. Esse é o poder do senhor Timbaland, que alavancou a carreira da menina que falara que era como um pássaro, que queria voar por aí e se tornou a garota promíscua! Que produz músicas para outra alavancada na carreira de impulsionadora de excitação pró-cópula em casas noturnas, Beyoncé. Ele faz vender, sabe do que o povo gosta, é tão bom que foi convidado por Madonna para produzir uma faixa do novo álbum. Mas é aquela velha história dessas músicas, duram de três a seis meses na pista depois não se agüenta mais. Ninguém vai colocar em um casamento no futuro, como se faz com músicas imortais, tais quais “Let The Music Play”, Barry White e “Your Song” de Billy Paul. Outro dia fiz uma pergunta a uma amiga: “Você vai numa boite hoje esperando para escutar e dançar quantas músicas, de verdade?” Ela respondeu: “No máximo três”. Em uma noite completa, um DJ deve tocar umas cinqüenta músicas, por aí, e somente três delas são realmente esperadas para se dançar. O resto, a caipivodka ajuda, a cerveja na mão vira desculpa para ficar de fora da pista, e a “obrigação” de se pegar com alguém praticamente faz com que o sujeito nem ligue pra isso. Deixa rolar a batida “seca”, quase Xingu (nada contra os índios ou suas músicas), que o clima fica favorecido. Quanto mais cheio a casa, melhor. “Assim facilita de chegar perto da gatinha, me esfregar nela e etc”. Não há respeito de lotação, segurança contra incêndios, pânico e tals. Sinal claro da desordem, e de que os jovens não ligam nem um pouco pra isso. Tem história de uma boite onde se decide ir pagar a conta às 3:30h da manhã e só se obtém sucesso as 4:50h!!! Peraí, quem é que vai num lugar desse? Será que é só lá que a cerveja é gelada? Será que é só lá que aquela cerveja do comercial da televisão é vendida? Aquela, “boa”, que a gente arma o boteco em qualquer lugar, que quando eu bebo é ponto! Só se for. Não vou falar de micaretas, porque julgo doloroso. Afinal o hit do verão foi: “A fila andou, eu te falei, não deu valor, como eu te amei, agora chora. Já me perdeu, boa sorte, vai embora” (Não sei nem como pontuar!).
Às vezes penso que nesse desrespeito a entropia, possa estar causando um problema no processo de religação com o Universo, com Deus, dado a naturalidade e irreversibilidade da grandeza. Logo eu que adoro a frase “Deus garante a imutabilidade das leis naturais e a certeza da dedução”. Mas é a certeza das deduções que me permitem infringir contra a entropia, contra o desrespeito dos “racionais”. Aceitar o fato é a única saída, mas antes de aceitá-lo, vou questionar, ah, vou!
Beijos e abraços a todos.
Texto enviado por Rapha, meu amigo querido,pessoa de sorte na vida!
Rapha,além de ser aquele amigo que todos querem por perto- seja pela sua contagiante alegria-ENERGIA ,por sua beleza tanto física quanto espiritual, possui uma característica marcante em sua personalidade,- é um
"HOMEM" de caráter invejável.
Quem te conhece,não te esquece!Aliás isso faz parte da maravilhosa família que tens.
Ser filho de quem você é, não poderia ser outra pessoa!
Boa árvore,dão excelentes frutos!!!!!!!!
Sorte sempre Raphitcha.
Continue ........
VAMOS REFLETIR SOBRE ESTE TEXTO!
Raphael Botão Miranda é Veterinário,Professor, Atleta - Rio de Janeiro.
Paz no coração e sabedoria na alma.
Tracy Aranha Costa
_____________________________________