quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Sensibilidade



Quando falamos em sensibilidade geralmente a idéia inicial que predomina é aquela relacionada à emoção, à nossa capacidade de nos comovermos diante de algum acontecimento.


Entretanto, o sentido da palavra é muito mais amplo.


Sensibilidade também se refere aos sentidos físicos, à consciência que temos de nosso corpo e das sensações que ele pode nos proporcionar.


A milenar filosofia tântrica tem como fundamento principal o despertar da sensibilidade do ser humano em toda a sua plenitude, a começar pelo corpo físico.


Lamentavelmente, ao chegar ao Ocidente, o tantra sofreu muitas deturpações e grande parte das pessoas se interessa por suas práticas unicamente como forma de aumentar o prazer físico do ato sexual.


Para a cultura ocidental, sempre imediatista e superficial, potencializar o orgasmo genital é a única forma de vivenciar a sexualidade.


Entretanto, o tantra é muito mais do que isto, ele pode ser uma ferramenta que permite ao ser humano conhecer-se profundamente em todas as suas dimensões: física, emocional e espiritual.


Somente quem se torna profundamente consciente de si pode tornar-se totalmente aberto e receptivo ao outro e enxergá-lo como uma manifestação do divino.


Um encontro desta natureza entre dois seres humanos pode ser uma porta para a experiência do êxtase e da iluminação espiritual.



O sexo é uma prece muito silenciosa. O ato de fazer amor é uma meditação. É sagrado, é o que há de mais sagrado. Portanto, enquanto está fazendo amor com uma mulher, vá bem devagar... degustando, sentindo todos os sabores do ato. Vá bem devagar, não é preciso ter pressa: há tempo suficiente.Enquanto estiver fazendo amor, esqueça o orgasmo. Em vez disso, fique num estado bem relaxado com a parceira, relaxem um ao outro.A mente ocidental está sempre querendo saber quando virá o orgasmo e como fazê-lo acontecer mais rápido, ser mais intenso e tudo mais. Esse pensamento não deixa as energias do corpo circularem, não permite que o corpo faça as coisas do seu jeito.Relaxe com a outra pessoa. Nada especifico precisa acontecer. E, se de fato nada acontecer, então é isso o que está acontecendo - e isto também é belo!O orgasmo não é uma coisa que tenha de acontecer todo dia. O sexo tem de ser apenas ficar junto, dissolver-se um no outro. Pode-se fazer amor por meia hora, uma hora, apenas relaxando um ao outro. Vocês ficarão num estado em que a mente está ausente, porque não é necessária. O amor é a única coisa em que a mente não é necessária, e é nisso que o Ocidente erra: usa a mente até no amor.Apreciem a presença um do outro, o encontro, concentrem-se nisso. Não tentem fazer nada a partir disso. Um dia haverá um orgasmo profundo como um vale; não haverá um ápice. Será só um relaxamento, mas terá seu próprio pico, pois tem profundidade. Um dia, o próprio corpo desencadeará um orgasmo culminante, mas isso também acontecerá espontaneamente - você só estará ali.Às vezes haverá um vale, as vezes haverá um pico, esse é o ritmo. Você não pode estar no pico todo dia. Se só tiver picos, eles não serão muito grandes. É preciso conquistar um pico passando por dentro do vale....Fique no vale e a energia se acumula: o pico nasce do vale. Nesse momento acontece um grande orgasmo, e todo o seu ser é inundado de prazer.No pico haverá prazer; no vale, paz. Ambos são belos. No final, a paz é mais valiosa do que o prazer, pois o prazer será momentâneo: não é possível ficar no topo por mais de um segundo. Mas é possível ficar no vale. Ambos têm de ser apreciados, pois ambos têm algo a oferecer. O Tantra diz que o vale orgástico é muito superior ao pico orgástico. Este último é imaturo, enquanto o primeiro tem em si uma grande maturidade....O vale orgástico não tem qualquer vibração, mas tem silêncio, e esse silêncio é muito mais valioso, muito mais transformador. Ficará com você durante as 24 horas do dia. Depois que o tiver visitado, ele permanecerá com você. O ápice se desvanecerá, você ficará exausto e cairá no sono. O vale continuará: durante vários dias, poderá exercer um certo efeito sobre você. Você ficará relaxado, lúcido. O amor é uma espécie de relaxamento em que as coisas têm de ser permitidas”.


Osho, do livro Corpo e Mente em equilíbrio.

Paz no coração e sabedoria na alma.

Tracy Aranha Costa.

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