O calendário marcava: 16 de Setembro de 2007.
Acordou cedo, levantou-se e foi cumprir seu ritual matinal.
Sentia na pele todos os sentimentos aflorados.
Chorava escondida, feito criança.
Ninguém escutara seu pranto.
Andou perdida feito barata tonta pela casa, alimentou os animais, saudou as plantas e o dia.
Tomou um pouco mais que o habitual seu café amargo.
Caixas empilhadas faziam parte da decoração da casa, seu mundo cabia dentro delas?
De não suportar a verdade daquele instante, abraçou um, dois, todos os gatos da casa.
Apoiada em seus joelhos rogou a presença de uma força que já não tinha.
Tudo nela estava oco.
O som do próprio silêncio ecoava o âmago de si.
Pela primeira vez usou de barbitúricos para espantar o fantasma que ali rondava.
A peregrina estava perto de mudar sua rota para sempre!
Olhou tudo novamente ao seu redor, queria vociferar em alto e bom tom.
Parada ali naquela sala que outrora foi marcada por palavras de: nossa casa, nossa casa, nossa casa. Chorou!
Pela janela uma leve brisa fez mover em muitas direções o “sino” anunciando a hora da partida.
Sinal de novos tempos!
Vez ou outra tentava sentir a si mesma, ainda que fosse impossível.
De repente! Entra anelante o outro peregrino.
Impediam-se mutuamente o olhar.
Logo o olhar, aquele que fora reconhecido e autenticado como idênticos.
Usaram algumas poucas palavras o mundo de sentimentos onde couberam perfeitamente todos os seus subterfúgios.
Nenhum amante recuou.
As horas que sucediam davam cada vez mais lugar a primazia.
O silêncio foi quebrado por um abraço, destes que se dá sem se querer ou se dá sem se saber.
Fechados em si, os “peregrinos do amor”, contavam com todas as suas concretas certezas.
Foi bater a porta e enrolar entre os dedos as chaves num momento de sensibilidade que percebeu a estranheza daquele gesto singular.
Encarou seu olhar pelo espelho do elevador e disse para si mesma: força, o melhor estará por vir!Já num automóvel que ali ambos tomaram, serviu de uma espécie de Carruagem de Fogo.
O peregrino postou-se a frente, entrelaçaram as mãos gélidas e suadas.
Fora o primeiro contato onde se dissera francamente o que sentia.
Tremiam um e outro.
No ponto final, no instante do embarque, desnorteados, suspiraram...
Entre palavras sussurradas aos ouvidos diziam-se: “mito”, “mita”.
Uma voz franzina interrompeu os peregrinos e dizia: - Tão jovens e já sofrendo!
A peregrina atentou ao que a jovem senhora dizia e respondeu com um piscar lacrimejante dos olhos: pudera, ele é o grande amor da minha vida!
Divorciaram-se ali mesmo na tentativa de selar a PAZ.
Para onde foram?
Qual caminho seguiram?
Realizaram ambos o que prometeram a si naquele dia de rompimento?
Desfrutam os peregrinos das mesmas certezas?
Viajemos no tempo...passados 365 dias!
Momentos significativos para ambos.
Caminhos opostos.
Perdas.(do pai, do avô).
Conquistas.
Realizações.
Momento dele se expor...
Momento dela calar!
Nova proposta?
Segue a vida...
* Ano de 2008,17 de Setembro. *
Acorda disposta,uma voz doce um tanto quanto familiar chama pelo seu nome: Tereice, e outra vez...Tereice...Tereice...
Olhou para os lados e o que viu foram 3 gatas esfomeadas.
Respirou fundo.
Seria um sonho ou um novo velho insigth?
" Ela não foi a nenhum lugar. [...] Eu a senti partir. Não para longe. Ela só saiu. Para todos os lados."
Tracy Aranha Costa
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2 comentários:
Que profundo e maravilhoso,amiga!
Adoro ler as suas palavras...
beijos
Beta
Lindo, lindo.
bjs
vera
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